sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aprovação Racional de Dois Bebados Sem Concordância.

Ele encarou o amigo durante alguns segundos, suspirou e olhou para o lado de fora do bar. Brincou com o copo com a ponta dos dedos, girando ele na mesa de madeira agora já cheia de marcas de rodelas feitas pela a umidade presente no copo gelado.

- Vamos mano, responde ai logo, cê fica fugindo da pergunta pô !
- Não... não... Não é isso cara...
- Então o que é Pô ?
- É que... sabe... não sei explicar. (Deu um sorriso vazio)
- Aaaah !!! - Sorriu com uma cara de deboche, se espreguiçou e apoiou os braços nas cadeiras que estavam ao seu lado - Bora logo com isso, ou você concorda com o meu ponto de vista ou não concorda, sabe como é, não vamos deixar de ser parceiros se você não concordar comigo.
- Não é que eu não concorde mano, a real é que não aprovo !
- E qualé a diferença entre concordância e aprovação... existe diferença ? - Disse incrédulo.
- Claro que existe, ta maluco ? Olha só - Se ajeitou na cadeira e colocou as duas mãos na mesa, paralelamente. -a aprovação... como posso explicar - parou para pensar enquanto olhava para o ventilador - Bom, eu aprovo que alguem meta a mão na cara de um cara que te fez muito mal, entende ?
- Ham.
- Mas não concordo !

Os dois cairam na gargalhada, embora não estivesse mais se entendendo uma vez que o teor etilico em seus corpos já era demasiado elevado.

- Porra, você é maluco cara, mas vamos aos fatos, eu fiz o que fiz e não me arrependo de nada.
- Claro ! O arrependimento não tem vinculo com a concordancia... afinal, você concorda ou aprova a sua atitude.
- Sou um homem de princípios duvidosos... eu aprovo e concordo com tudo o que faço !

Gargalhadas

- Puta que pariu mano, para de ser bronco, escolhe um dos dois...
- Okay... eu Concordo com o que fiz, pois sou racional, eu parte de principios e metodologias que...
- Ah... vai a merda com esse papo mano, vc nem sabe mais o que esta dizendo !
- Cala a boca e me escuta, é serio a parada, presta atenção !
- Eu mereço mesmo.
- Escuta !
- ham...
- A aprovação vem de pessoas que não entendem o que acontece, as pessoas simplesmente aprovam as coisas de um modo lúdico e selvagem, onde a coerencia dos fatos não existem... entendeu ?
- P.N.
- P.N. ? O que é P.N. cara ?
- Porra Nenhuma !
- Ah... vamos embora cara, essa conversa não tem futuro mesmo. - Disse suspirando e largando o corpo na cadeira.
- Não mesmo, Garçom ! Garçom ! Caralho, esse puto nunca me vê !
- Experimenta levantar sem pagar para você ver !

terça-feira, 20 de março de 2012

Dream a little dream

Já eram mais de 3 horas da madrugada, e ela já estava cansada de estar naquele bar, aquele leve sentimento de culpa pesava em seu peito, culpa por achar que estaria muito mais feliz em sua casa, com suas roupas leves e com o corpo já relaxado em sua cama. Mesmo assim ela não deixava de sorrir, entre copos, piadas, olhares, soluços ela desbravou aquela noite em que Chronos fez questão de passar lentamente.
Agora são 4 horas, e seus sentidos vão ficando cada vez mais aguçados conforme a efêmera paciência que sustenta o seu ser se desfaz como açúcar na água. Ela é doce, mas dilui, dilui para uma estrutura mais fragilizada e vulnerável as intempéries que se estabelecia naquela mesa.
Ela era volúvel, mais nova de três filhos, sempre se sentiu incompatível com o mundo, sempre buscou fazer diferente aquilo que para muitos fluía naturalmente.
Sempre soube comportar-se bem apesar de nunca concordar no final com as suas atitudes, mas sabia que no fundo fazia sentido, queria passar despercebida, odiava chamar atenção.
Foi perdida nesses pensamentos que uma sucessão de acontecimentos fez sua cabeça explodir.
Seus sentidos gritavam.
Vozes, risos, Copos Tilintando, passos, batucadas em mesa, luz, vibração, reflexos no espelho, calor, umidade, roupa apertada, cheiro forte de perfume misturado com cerveja e Ella Fitzgerald.

“Stars shining bright above you
Night breezes seem to whisper I love you
Birds singing in the sycamore tree
Dream a little dream of me


Este ultimo ponto fez todos os outros sumirem, seu corpo relaxou, e o caos que explodia a sua volta deixou de existir, era somente a leveza, a tranqüilidade, a paz e Ella. O som daquela musica mergulhou seu corpo tenso numa irreversível catarse temporal de sua inteira vida. As boas e más lembranças mesclaram-se em uma nostalgia de proporções gigantescas, bateu em seu coração e reverberou pelo seu corpo. Logo tudo estava claro, assim de repente.

De repente sua mente sente a latente necessidade der ser prudente naquele que era seu irreverente e irreversível presente.